
Viagem às Missões Jesuíticas e Trabalhos Apostólicos
O nome do padre Sepp é pouco conhecido do nosso público amador
de história. Nossos historiadores consideram-no mais como um
autor regional, que interessa apenas aos rio-grandenses. Isso talvez provenha
do fato de ter o nosso autor escrito sobre as Missões Jesuíticas, cujo
território foi incorporado, e em parte somente, muito tarde, ao Brasil.
Entretanto, esse fato em nada diminui o valor da obra do famoso
missionário. Ninguém poderá negar que, embora as reduções só
tenham prosperado numa parte mínima do nosso país, representam elas
um dos fenômenos histórico-sociais mais importantes da história brasileira
americana.
Por esse motivo, talvez, têm os nossos historiadores considerado
as reduções jesuíticas mais sobre o ponto de vista da história política
que sob o ângulo econômico-social, para nós mais importante, dada a
influência considerável que tiveram na vida dos estados do Sul, especialmente
de São Paulo, que utilizou essas reservas de mão de obra, e Rio
Grande do Sul, cuja vida está cheia de traços culturais, traços esses que
têm sua origem nas Missões.
A vida econômico-social gaúcha pareceu a muitos historiadores
brasileiros como sem grande interesse, dada a sua peculiaridade. Poucos
os que procuram estudá-la como uma cultura baseada na pecuária,
reunindo-a às culturas de outras zonas de gado do Brasil, confrontando-
as e mostrando suas diferenças e semelhanças, dentro do conjunto da
história do Brasil.
Capistrano de Abreu, tão luminoso às vezes, mas que não gostava
de paulistas e gaúchos, chegou a ter uma “boutade” pitoresca, comentando
a separação da Província Cisplatina: “Separada a província
cisplatina, que ficava significando o Rio Grande do Sul? Que se lucrava,
derrubadas as muralhas de llion, guardar o cavalo de Tróia?” 1
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